A construção da identidade é um processo importante para as crianças pequenas. E essa construção se dá também por meio das experiências que essas vivenciam: com a terra, com brincadeiras diferenciadas (e não só com brinquedos de plástico), com a arte (música, dança, teatro), na rua de casa (ainda existe isso?), enfim, não podemos relativizar a importância do contato com diferentes culturas e saberes.

Lembro-me bem que eu guardo um medo, ou pavor não, sei de água. Isso se dá porque minha mãe sempre me dizia “cuidado com água, ela é perigosa”. Hoje, quando a água passa do joelho eu tremo. Se minha mãe estava certa? Não sei. Mas sei que nós mães, temos lá nossos motivos para preservar a saúde de nossos pequenos, não é mesmo? Então a minha também devia ter os seus kkkk.

Mas o que eu quero dizer com isso? Que as nossas impressões e medos passam para nossos filhos, por isso a necessidade de tratá-los, e mais, de compreender que nossos pequenos são novos seres, que tem a oportunidade de construírem uma nova vida, inclusive com seus próprios temores e não os nossos como herança a eles.

Dito isso, vale a pena pensarmos em quais experiências estamos proporcionando aos nossos filhos: a vida deles se resume a casa, escola, Igreja e Shopping Center?

Não precisamos de muito para oferecer programas ricos em aprendizagem e prazerosos, como por exemplo: uma ida ao zoológico.

Conhecer os animais através dos livros é uma coisa completamente diferente de vê-los pessoalmente. Ouvir os sons destes é muito diferente dos sons emitidos nos brinquedos. A cor de cada um deles não é necessariamente da mesma tonalidade que os livros nos contaram.

É a possibilidade de construírem o seu conhecimento a partir de suas próprias vivências, sem a intervenção do adulto. Começa ali uma nova contação de história para cada um e os seus contos nunca mais serão como antes.

Essa vida agitava e cercada de cuidados que temos e acabamos estendendo aos filhos, precisa de um freio. Precisamos dedicar tempo a atividades menos tecnológicas, que envolva a família, que proporcione liberdade de conhecimento aos nossos pequenos. Eles precisam correr, cair, sujar, tomar banho de mangueira, subir na árvore. Precisam de piquenique no parque, do contato com animais, de música e muita dança.

Enfim: o jacaré do livro é verde e grande. O que eu conheci no zoológico é uma mistura do cinza com o verde, e o seu tamanho não era tão protuberante. O que eu conheci no livro me permitiu viver uma história, o do zoológico me permitiu criar outros jacarés.

Fabiana Soares Duarte  – Mãe do Heitor, administradora, especialista em gestão escolar, educadora – atuando há 14 anos com educação, artesã por paixão, adepta por convicção a teoria sócio-construtivista, estudiosa e curiosa na arte da maternagem e seu último desafio foi aprender o sistema Braille.

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