No Banner to display

29

ago

18

Bropriating

O feminismo vem cunhando inúmeros verbetes a serem adaptados ao vocabulário. Alguns deles explicam situações corriqueiras do dia a dia, que só é possível compreender com ocorrências vivenciadas.

Para o Ser Humano, que, em regra, vive em mundo egoísta, a dor forte se sente quando acontece bem próxima. As discriminações, primordialmente, do gênero feminino, recebem valor quando mulheres da família ou amigas próximas são vítimas. Em reuniões de trabalho, não raras vezes, é perceptível que a voz dada ao gênero feminino não possui o mesmo peso do masculino. Antigamente assistia-se a tudo isso pacificamente. Entretanto, como as mulheres se mostraram com a mesma competência e capacidade atribuída outrora apenas a homens, os preconceitos são vistos com maior facilidade.

Bropriating é um neologismo da língua inglesa, formado pela junção de “bro”, advindo de “brother”, com “propriating”, da palavra “appropriating”. Logo, acontece quando alguém se apropria de ideia alheia, e, dela faz uso. Geralmente essa “apropriação indevida” vem precedida de uma interrupção da voz feminina, fazendo com ela não seja ouvida, para posteriormente, consumir da opinião.

Os espaços de poder, apesar do trabalho incansável feminista, são de dominação masculina. Então, mesmo que a mulher atue com primazia e conhecimento qualificado sobre determinado assunto, as opiniões dos homens ainda chegam com maior frequência aos ouvidos. Dantes, a palavra intelectual era totalmente masculinizada. Poucas mulheres conseguiam esse reconhecimento. A massa ainda assim entende.

Ser ouvido ou ouvida, bem como, ter ideias consideradas, é primordial para a carreira de qualquer pessoa. Juízos tirados podem estagnar a profissional. Inclusive, a conhecida “Síndrome do Impostor” pode fazer com que doenças apareçam, dando lugar à insegurança.

Camila Achutti, cientista da computação e professora de engenharia do Insper cita que em seu ambiente de trabalho, visto como masculinizado, a prática é constante. Segundo ela: “Se ninguém reconhecer o quão brilhante é a mulher, ela não avança, passando a se menosprezar.”

As mulheres precisam de aliados e aliadas em seu favor, dando a visibilidade merecida, tal qual o homem sempre teve. É preciso que as esferas públicas e privadas falem definitivamente sobre gênero, deixando transparecer de modo muito claro o machismo. Os prejuízos devem ser enfrentados de maneira cristalina.

No governo Barack Obama algumas circunstâncias foram combatidas, para que o patriarcalismo fosse mitigado. Importante estratégia para lidar com essas interrupções das mulheres foi criada. Cada vez que uma mulher se posicionava em reuniões, outras repetiam enfatizando a respectiva fala, creditando a verdadeira proprietária. O instituto ficou conhecido como “amplification”.

Na época escolar muito se via a responsabilidade das meninas na confecção dos trabalhos. Entretanto, a apresentação ficava a cargo dos meninos como se apenas eles fossem os mentores da criação.

Se apropriar das invenções é, também, luta feminista!

Rosana Leite Antunes de Barros é defensora pública estadual.

COMENTAR Comentários desativados em Bropriating

Comentários estão fechados!

Link me

Copyright © 2018 Michelle Bueno