Uma coisa muito estranha que conheci no exercício da maternidade e que ainda me inquieta muito – pra não dizer que enfurece mesmo – é o sistema de comparação e competição que existe entre as mães.

Quem é mãe sabe do que estou dizendo. Quem não é, vou explicar.

Funciona assim:

Os bebês nascem e começam as disputas: quem nasceu mais pesado, quem dorme mais, quem engatinhou primeiro, quem não briga, quem não morde, quem não teve cólicas enfim começa uma tirania para definir qual o melhor bebê. É claro que isso não é dito né?

Acho que as famílias começam desde cedo mostrar às suas crianças um fator bem importante para as relações interpessoais: o RESPEITO, ou a falta dele.

Nas entrelinhas, e não estou fazendo uso de hipérbole, damos os sinais dos nossos valores e princípios. Se, nas rodas ficamos opinando na educação do outro e dizendo: “nossa, você o deixa fazer isso?”, estamos na verdade dizendo: o meu jeito de ensinar é o certo e você está errada.

Isso é legal? Respeitoso? Justo? Coerente?

Cada um de nós veio de uma educação, cultura, e meio completamente diferente do outro. Até pode existir semelhanças, mas cada família é única. E isso nos difere do próximo. Mas não qualifica ninguém, tampouco dignifica.

Não seria mais sensato dialogar sobre as diferenças e quem sabe até aprender com elas?

Certo dia me perguntaram se deixo meu filho fazer tudo. Eu respondi que deixo ser criança e fazer tudo que é próprio do momento dele, e nesse pacote entra a disciplina também. Pois, amo o meu pequeno e quero o melhor pra ele: que ele se desenvolva, descubra seu mundo a partir de suas próprias experiências e aprenda a viver em harmonia com o outro. Daí a próxima pergunta foi: “e se ele quiser brincar com boneca, você deixar?”. Voltei e repeti a mesma resposta anterior. Meu filho vai brincar com todos os brinquedos que puder e quiser.

Neste post não vou me atrever a falar sobre a questão de gênero na infância, pois precisaria me aprofundar mais que em um só parágrafo.

Mas preciso ressaltar: meu filho pode brincar com boneca quando quiser. Assim como se tivesse uma menina, ela poderia brincar de dirigir. Naturalmente!

Voltando a origem desse texto, acho que vale propor uma reflexão as mamães : vamos entender que cada criança vive em um contexto, que vive sujeita a fatores que influenciam em sua educação.

Julgamentos não põem comida na mesa de ninguém tampouco compra fraldas. A sociedade, e isso estamos no pacote, precisa de mais gentilezas, de pessoas dispostas a ajudarem, de abraços, de LAÇOS.

Ajudamos muito quando nos colocamos no lugar do outro, quando enxergamos na diferença do outro uma possibilidade de crescimento pra nós.

Não existe formulas e receitas para uma boa educação. Existe tentativas e falhas. Conhecimento que se constrói com a experiência. Só isso, simples assim!

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