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Certo dia, ouvi de uma educadora a seguinte frase “todo mundo educa para algo, para o bem ou para o mal todos são educados de alguma forma”. No momento, muitos dos presentes ali, estranharam a fala, porque na maioria das vezes somos tendenciados a pensar que a educação é sempre algo com resultado positivo.

E não é! Pasme!

Não há dúvidas de que muitos são educados para guerrear, são ensinados a prática do preconceito, ou não, são estimulados ao perdão, a dar a mão, a abraçar. Então, só podemos efetivamente compreender que a fala dessa educadora é verdade.

Educação - Maternagem - Filhos - Familia - Blog da Michelle Bueno

Segundo Zorning (2010): “o bebê do século XXI é um parceiro ativo de suas interações com o mundo e com seus objetos e não mais pensado como passivo e reativo simplesmente”.

Sabe aquela criança que muitos de nós fomos? Que só tinha voz quando um adulto permitia e que recebia bons elogios quando permanecia quieta na roda de conversas dos amigos de nossos pais? Pois é, o mundo mudou. As famílias mudaram. E é claro: PRECISAMOS MUDAR COMO EXERGAMOS AS CRIANÇAS!

Neste momento, não me atreverei a discursar mais sobre isso exatamente, mas o fato é que hoje a criança tem voz e ação. Um SALVE bem grande a isso!

E até naqueles espaços onde tentam suprimi-las, suas vozes ecoam como se dissessem: “Ei, eu estou aqui. Eu tenho opinião, eu sei das coisas e eu preciso dizer”.

Dito isso, é importante pensamos que inevitavelmente o mundo da criança é formado por estímulos e em cada um deles existe uma aprendizagem, ainda que não seja intencional. Em virtude disse precisamos ter clareza para o que educamos. De um simples bom dia até uma correção disciplinar. Como fazemos e o que queremos ensinar são pontos essenciais para refletirmos.

Família e Escola precisam entender que o cuidar não existe sem o educar.

Aquelas falas tão conhecidas “contratei uma pessoa só para cuidar do meu filho” ou “essa creche serve para o meu bebê já que nessa idade só vão cuidar mesmo” são armadilhas! Ninguém apenas cuidará do nosso filho. O cuidado é regado por educar para algo.

Exemplifico: Na hora do almoço, onde a criança se alimenta? A frente da TV ou na mesa com a TV desligada? Concordamos que o ato de servir o almoço à criança é simples e pode parecer sem sentido?

Mas não é! Quando permitimos que a criança se alimente a frente da TV estamos ensinando algo, diferente de quando a educamos para sentar a mesa para se alimentar e dedicar tempo (ainda que pouco) a quem está a sua volta, a saborear o alimento, a dialogar sobre seu dia por exemplo.

Portanto, não nos iludamos. Quem contratamos para ficar com nossas crias, vão educá-los para algo. A creche que ele passa ainda que duas horas por dia, os educa para algo. Ensina sobre o banho, sobre o contato com seus pares, sobre muitas e muitas coisas.

Venho de uma jornada de 15 anos trabalhando com educação e já vivenciei muitos e muitos relatos de famílias que não entendiam o comportamento de seus pequenos e quando fomos investigar, percebemos que algo estava errado em suas relações. Aquela criança estava vivendo e aprendendo algo que não o fazia bem. E nas relações menos importantes para a família estavam os maiores aprendizados das crianças.

Então, vale um reflexão diária para nós pais, para o que educamos? E como o fazemos?

Uma criança aprende a ter autocontrole quando vive num ambiente seguro e equilibrado, que não menospreza suas dores dizendo: “não foi nada”, ou então que supervaloriza aquilo pode ser tratado com tranquilidade: “te bateram na escola? Amanhã eu acabo com a vida desse moleque”. Vejam, o adulto precisa assumir o seu papel enquanto pessoa madura da situação. Somos nós que apontamos para a direção que as nossas crianças estarão inclinadas a olhar e seguir.

Fecho nossa conversa de hoje com um pensamento que sempre me vem a memória quando estou numa relação de conflito com meu filho: Preciso ajudá-lo a viver sua infância. Sem massacrá-la ou descaracterizá-la. Sou o adulto da situação. Não posso infantilizar minha atuação, tampouco esperar tamanha maturidade de um ser que está em pleno desenvolvimento e aprendizado. Preciso entender que somos pessoas em tempos, posições, gerações e situações diferentes.

Enfim, para o que e como educamos nossos filhos?

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