Sim, eu nasci antes de ser mãe. Logo já tinha uma identidade, uma profissão, religião, e uma vida organizada. Não me enquadro na ditadura que estabelece a maternidade como ponto exclusivo na vida, onde a mulher deve abdicar de tudo por causa do filho.

Muitas mulheres dizem que nasceram após se tornarem mães. Outras que se realizaram na maternidade. E outras que se completaram na maternagem.

Jamais cabe julgamento sobre a relação que cada uma tem com a maternidade, mas eu não me identifico com todas essas definições.

Eu nasci antes de ser mãe e materna! Eu fui muita realizada na minha vida antes de ser mãe e já era muito feliz antes da chegada do meu filho. Cursei a faculdade que queria, viajei para lugares lindos e culturas incríveis, assisti a peças de teatro fantásticas, li sobre muita coisa legal e chata também, conheci diversos gêneros musicais, e muitas outras coisas me encheram de prazer e plenitude. Sempre tive a certeza que minha relação com Deus era o que de fato me completava.

E o Heitor? O Heitor ressignificou a minha vida, tirou TUDO do lugar e juntos construímos um novo jeito de ser feliz. Não tenho dúvidas que se não fosse mãe continuaria a ser muito feliz em muitos aspectos. Por outro lado, não teria vivido toda a loucura mágica que já vivi até aqui com o meu filho. Não teria conhecido esse amor ímpar! Foi ele quem me ensinou a ter a sala bagunçada, a perder noites em claro, a sair despenteada, a tomar banho na hora que der e a viver uma vida com um significado completamente diferente, e o mais importante: sentir-me feliz com tudo isso. Tê-lo compensa tudo isso. Hoje eu sou ainda mais feliz.

Ser materna é uma experiência incrível e difícil. Não temos a receita ou o manual de como cuidar de uma vida tão dependente. A partir de nossos erros e acertos que criamos o jeito de educar e cuidar nossos filhos.

Abrir mão de muita coisa pelos filhos é um processo natural e necessário, afinal é impossível ou inapropriado “levar” a vida como se o filho não existisse. Nossas prioridades, rotina, planos e muitas outras coisas mudam, mas estou certa que muitas outras não podem perder seu lugar e grau de importância em nossas vidas. E nesse pacote incluo o tempo para nós mesmos – precisamos respirar, falar de outras coisas que não seja do preço da fralda e da promoção do leite. Precisamos falar de nós, de qualquer coisa, do tempo, da política, enfim falar da vida que existe além da maternidade.

Coloco nesse pacote também nosso desenvolvimento profissional – e asseguro: não é fácil conciliar, mas é necessário e faz um bem danado para nossa autoestima. Vai exigir que dia ou outro você chegue mais tarde em casa, ou faça uma viagem, ou até que durma mais tarde para ler ou estudar algo, mas vejo como um esforço compensatório. Sou muito feliz após um dia produtivo de trabalho, poder brincar e curtir meu filho. Se às vezes sinto falta de ter mais tempo para ele? Isso acontece, é claro. Mas sabe uma alternativa que encontrei? Dar qualidade para o tempo que passo com ele: brincamos, desenhamos, pintamos, lemos histórias, assistimos TV, e mais que isso: meu olhar está voltando integralmente pra ele. Todas as demais coisas são secundárias quando o tempo é dele.
Vejo pais e mães que passam tempo com o filho, mas são ausentes em carinho, atenção e disposição. A presença física pode ser constante, mas não é de qualidade, como bem disse o mestre Hamilton Werneck em seu livro “Pulso forte e coração que ama”: “As maiores dificuldades estão no fato de muitas crianças, hoje, serem órfãs de pais vivos…”

Entendem a diferença?

Então, voltemos ao pacote, por ultimo, mas importante do mesmo jeito é a atenção necessária a sua vida conjugal. Eu optei por ficar sozinha (no sentido de não me envolver com ninguém até que meu filho tenha maturidade para viver isso), mas não tenho dúvidas que aquelas mulheres que tem seus esposos ou namorados, PRECISAM dedicar atenção e cuidados ao seu parceiro. Precisam se dedicar a relação: sair a sós, viajar a sós, jantar a sós enfim precisam viver a relação a dois, pois antes de serem pais já eram enamorados, e isso precisa ser conservado e valorizado.

Certo dia ouvi uma Palestra em que foi apresentado o índice de divórcio após a chegada dos filhos, não vou me atrever a entrar em detalhes e emitir parecer sobre a questão do divórcio, mas de uma coisa todos temos certeza, essa pesquisa não está equivocada. Quantos de nós já percebemos casais que se distanciam após a chegada do esperado bebê? O cansaço, a rotina, as noites em claro, a conta bancária, enfim toda a avalanche de coisas que nos acometem após o nascimento de um filho, se não forem bem administradas, levará nosso relacionamento a ruína.

Hoje, eu tenho pessoas da minha confiança (parentes) que vivem a rotina do Heitor e participam de sua educação e quando preciso me ausentar, recorro a elas. Procuro sempre que preciso deixá-lo em casa com essas pessoas, assim sua rotina é permanecida e ele não se vê com pessoas e local estranho, ou seja, eu saio de cena, mas o seu cenário continua, de forma segura e harmoniosa.

Dito tudo isso, posso afirmar: EU NASCI ANTES DE SER MÃE e a maternagem me trouxe experiências novas, mas, sobretudo me apresentou um AMOR diferente e único. Eu era feliz e hoje conheço uma nova forma de FELICIDADE.

Tem muitas Marias, Joanas e Fabianas por aí, que já lutavam e corriam atrás do seu espaço antes de serem mães por isso não é justo apelar para uma ditadura do certo e o errado, cada uma tem opinião a partir da sua própria experiência, não é mesmo?

Como aconteceu com você?

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