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02

abr

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Gaslighting

O tema é uma tática conhecida e utilizada por agressores, que causa a desestabilização das vítimas. Muitas mulheres passam a se sentir culpadas pelas agressões sofridas.

Gaslighting - violência contra a mulher - agressor - mulher oprimida

A denominação surgiu com a peça teatral Gas Light de 1938, e contou com adaptações para o cinema, lançadas em 1940 e 1944. A origem do uso do nome ocorreu em razão da manipulação psicológica utilizada pelo personagem principal contra a vítima. Em suma, a história cuida de um marido que tenta convencer sua esposa, e outras pessoas, que ela, a mulher, é louca.

Em se cuidando de violência doméstica, esse é um fenômeno que vem incidindo com frequência. Os casos são das mais variadas formas, e a mulher acaba sendo tratada como alguém que não está com as ideias em ordem. Em audiência, algumas acabam se desestabilizando ao ver aquele que tanto a agrediu entre quatro paredes, na frente das autoridades, se tornar um verdadeiro “cordeirinho”. Muito se vê, também, homens que culpam mulheres por se encontrarem detidos pela violência doméstica, ou, ainda, em razão da falta de pagamento de débito alimentício. Há uma inversão de valores, a fim de causar remorso pela separação do casal, ou pela prisão.

A ocorrência acaba ganhando proporções, principalmente porque a capacidade mental da vítima entra em xeque. As mulheres sempre foram reconhecidas como diferentes dos homens, onde algumas coisas lhes são proibidas. Essa santidade atribuída faz com que todas as vezes que ela tome alguma atitude diferente do esperado, seja reconhecida como louca, desequilibrada, agressiva e inconsequente. O normal é que o gênero masculino se desequilibre por algum motivo, nunca as mulheres. Aliás, é senso comum que os homens são nervosos, e, às vezes, até podem sair “do sério”, as mulheres não.

A situação faz lembrar a síndrome de Estocolmo, que é denominação atribuída ao estado psicológico de alguém submetido a intimidação, e o tempo faz com que ela passe a nutrir simpatia, amor ou amizade pelo algoz. É uma amenização das maldades proferidas pelo agressor, a ponto de realizar acordos para sair da ocasião adversa que vivencia, sem que seja ela a causadora do problema.

Continuar ou não em relacionamentos abusivos é opção da vítima. Todavia, algumas características em relacionamentos amorosos mostram a ocorrência: dúvida constante de si mesma; se achar sensível demais; se sentir confusa ou maluca; necessidade de pedir desculpas ao parceiro sempre; sentimento de infelicidade, mesmo estando aparentemente tudo bem; criação de desculpas para justificar atitudes do companheiro; esconder informações de amigos e parentes para que não tenha que as explicar; entender que algo está errado, porém, sem conseguir expressar; mentir para evitar as distorções da realidade; dificuldade de tomar decisões fáceis; sentir que a insegurança é par constante; sentimento de desesperança e desânimo; sentir que não consegue fazer nada certo; ficar imaginando se é boa suficiente como parceira.

O abuso emocional é a realidade de algumas mulheres. Ninguém tem o direito de fazer que o outro perca a noção da realidade. As situações de violações não acontecem do dia para a noite, sendo um trabalho muito bem arquitetado pelo agressor, para conseguir algo que ele não conseguiria se a vítima estivesse em seu juízo perfeito.
Depressão, isolamento, ansiedade, medo e confusão mental, são alguns dos problemas sérios que o trauma pode ocasionar. Reconhecer os sinais é a primeira atitude a ser tomada…

Rosana Leite Antunes de Barros é defensora pública estadual.

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