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Ao ouvir a batida do coraçãozinho do bebê, ainda na fase gestacional, muitos pais e mães realizam sonhos nos exames de ultrassons. Para as mulheres, outro momento importante é o parto. A vestimenta, o corpo, a pertence. A fase de consultas anteriores também possui o condão de informação sobre como será o procedimento. Existem manobras que são utilizadas no parto e podem auxiliar ou prejudicar mãe e bebê. Atenho-me à manobra de Kristeller.

Violencia obstétrica contra a mulher

Estava na sala de parto. Tudo transcorria muito bem. As dores eram fortíssimas, indicando que a expulsão estava próxima. Foi o segundo parto normal que enfrentei. Apesar de se cuidar de prematuro, tal como o primeiro, sabia que após aquela dor indescritível, tudo ficaria bem. Respira fundo e faça força, dizia a médica obstetra. Sempre fiz questão do parto humanizado. Entretanto, como muitas mulheres, não entendo da área de saúde. Na terceira força que fiz, a médica acenou para a enfermeira que estava ao meu lado afirmando que era o momento. A enfermeira, então, imprimiu determinada força como os cotovelos no início de minha barriga, momento em que a criança saiu imediatamente. Senti uma pressão forte. O alívio aconteceu, claro, pois meu rebento nasceu. Confesso que fiquei muito tempo pensando o que foi aquela força feita pela profissional no dia do parto do meu segundo filho. Não podia prever esse acontecimento. Por sorte, o meu filho é perfeito. Dias após o episódio, busquei saber se o método estava correto. Descobri ter sido vítima da manobra de Kristeller. ” Esse foi relato de uma mulher.

Mencionado procedimento obstétrico foi criado pelo ginecologista alemão Samuel Kristeller em 1867, e consiste na aplicação de pressão no fundo do útero durante o período expulsivo, para adiantar a saída do neném. Entretanto, os riscos podem ser graves para mãe e bebê. Para a criança pode ocasionar: complicações relacionadas ao ombro do bebê com possível fratura de clavícula, trauma encefálico, descolamento de músculo; lesão nos nervos do plexo braquial, que controlam movimentos das mãos, braços e ombros; fratura do úmero ou de costelas; diminuição de oxigênio ao feto por meio da placenta; lesão em órgãos internos; hematomas; e, aumento da pressão intracraniana com hemorragias. Para a mulher pode acarretar: hemorragias e contusões; rotura e inversão uterina; aumento do risco de deslocamento do períneo ou da vagina; prolapso urogenital com a projeção dos órgãos genitais femininos para fora; desprendimento prematuro da placenta; fratura de costela; e, contusões.

A Organização Mundial de Saúde não recomenda a prática, inclusive, não indicando em nenhum caso. O artifício é conhecido e comprovado como danoso à saúde, ineficaz e causador de traumas, não se constituindo em boa técnica médica. É preciso permitir que o corpo da mulher naturalmente possa conduzir o parir saudável.

Humanizar o parto é deixar a mulher, como proprietária do seu corpo, escolher como desejar parir. É dela, quando possível, a opção por qual tipo de parto deseja. É ela a protagonista de todo o processo. Ter conhecimento de tudo que pode acontecer durante o evento é seu direito durante o pré-natal. Toda possível manobra a ser aplicada, inclusive, se almeja a episiotomia, conhecida vulgarmente como “pique”, no momento do parto normal, deve ser objeto de prévia conversa.

As informações são preciosas, para que a mulher possa escolher o que anseia em ocasião de tanta importância. No caso real acima relatado, a mulher não foi consultada se ambicionava “uma ajuda” na expulsão do feto, só descobrindo que havia sido vítima de violência obstétrica dias depois. Naquele caso, não havia óbice para se esperar a natureza agir. A vítima concluiu que a manobra de Kristeller foi desnecessária e poderia ter ocasionado danos.

Rosana Leite Antunes de Barros é defensora pública estadual.

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