Em recente pesquisa, a ONU alertou quanto os custos causados pela violênciacontra a mulher. Os dias 25 de cada mês foram decretados como o Dia Laranja Pelo Fim daViolência Contra as Mulheres. Essa foi uma forma de reforçar o apelo no enfrentamento.

Segundo demonstrado, a violência contra a mulher representa 2% do produtointerno bruto global, ou, aproximadamente 1,5 trilhões de dólares. Na Uganda, o custoanual com funcionários que tratam das mulheres vítimas de violência doméstica é de 1,2milhões de dólares. A Nova Guiné vem sofrendo no setor privado, porquanto, cerca de 11dias de trabalho ao ano é perdido por conta da violência de gênero. O Peru detectou queperdeu 70 milhões de dias trabalhados devido à violência doméstica e familiar. NoCamboja foi aferido que 20% das mulheres foram vítimas de violência doméstica, tendorelatos de falta de trabalho e, ainda, ausência escolar das crianças. O Vietnã apresentou umcusto direto da violência doméstica, representando 21% das despesas mensais dasmulheres, além das vítimas ganharem 35% a menos por sofrerem violência. Os EUAtambém se impactaram com a violência cometida por parceiros íntimos de mulheres, sendode 5,8 bilhões de dólares os gastos estimados. No Canadá as despesas com violênciadoméstica alcançam a cifra de 1,6 bilhões de dólares. A Inglaterra e o País de Galesexperimentaram a dilapidação de 32,9 bilhões de dólares.

A Agenda 2030, adotada pelos Estados-Membros das Nações Unidas em setembrode 2015, possui como um dos objetivos de desenvolvimento sustentável a igualdade degênero, sendo desafio do século 21, dentre outros. Entretanto, com os gastos impactando oPIB, fica evidente a importância da prevenção.

No Brasil, cerca de 40% das mulheres já sofreram violência doméstica em algummomento da vida. E mais, 66% dos brasileiros e brasileiras presenciou, no ano de 2016,uma mulher sendo agredida física ou verbalmente. Em 2014 foram mais de 45 milestupros contabilizados no Brasil. A cada duas horas, uma mulher é assassinada no país…

Estudos recentes mostram que a prevenção precoce diminui sensivelmente aintervenção em estágios de crise. O artigo 8º, da Lei Maria da Penha, com intuito deinvestir para o futuro, afirma quanto à importância na inclusão dos currículos escolares dadisciplina “Não Violência Contra a Mulher”. A adequação legislativa pelos municípios eestados garantiria um futuro melhor para as novas gerações.

Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres no Brasil, foi enfática: “Aviolência contra as mulheres é uma manifestação perversa, fruto da discriminação e dadesigualdade de gênero. Para além das consequências humanas imensuráveis que ela traz,tal violência impacta em elevados custos para os serviços de atendimento, incluindo asaúde, a segurança e a justiça. Investir na prevenção e na erradicação da violência contra asmulheres e meninas é muito menos custoso do que tem nos custado a falta de ação. ”

Variados problemas de saúde tem acometido mulheres e meninas, em consequênciadas muitas violências enfrentadas cotidianamente. Algumas se culpam por causarproblemas. Sim, é isso mesmo. Mulheres se martirizam pela condição do gênero. Existeminúmeras que se acusam pelas agressões, cantadas, assédios, divórcios, condenaçõesjudiciais de agressores etc.

A verdade é que o mundo se desgasta com a violência. E o empobrecimento vemacontecendo em todos os sentidos. Além do literal, o sentimental, moral, psicológico, emsituações onde o gênero feminino se vê diminuído sobremaneira.Seria muito mais fácil a compreensão imediata quanto à devastação que amalfadada brutalidade causa ao mundo..

Rosana Leite Antunes de Barros é defensora pública estadual.

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